Ricardo Devid Vieira · @oricca_ · gravação de hoje
Quatro vídeos de 3 minutos pra mandar pras empresas de palestra. O primeiro é o que vai anexado no e-mail — os outros três provam domínio de cada tema. Grave nesta ordem: se o dia apertar, o vídeo 1 sozinho já serve.
Toda vez que eu entro numa academia, alguém para de treinar pra me olhar. E o comentário é sempre o mesmo: "impressionante, não pode nada".
Meu nome é Ricardo Devid Vieira. Eu nasci sem o braço direito, em 1993, e hoje eu sou atleta adaptado de CrossFit.
DireçãoComeça já falando, sem "oi, tudo bem". Meio sorriso na frase do "não pode nada" — é piada interna, não queixa. Deixa um segundo de silêncio depois dela.Quarenta e seis mil pessoas acompanham o meu treino todo dia. Não porque eu levanto peso — tem gente que levanta muito mais que eu.
Elas acompanham porque toda vez que eu chego num aparelho, eu tenho que responder a mesma pergunta antes de começar: como é que eu faço isso do meu jeito?
E foi aí que eu percebi que essa pergunta não é sobre deficiência. É sobre trabalho.
Todo mundo, em algum momento, recebe uma meta com um recurso a menos do que precisava. Menos gente, menos prazo, menos orçamento.
A diferença é que eu não tive a opção de esperar o braço chegar. Eu tive que adaptar o método.
DireçãoEste é o bloco que vende. Desacelera. É onde o bureau decide se você é palestrante corporativo ou história bonita.É isso que eu levo pra dentro das empresas. Não é palestra de superação pra emocionar e todo mundo esquecer na segunda-feira.
É um método de adaptação: como a sua equipe olha pra restrição e, em vez de travar, redesenha o caminho.
Eu tenho três temas. Um sobre performance com recurso limitado. Um sobre a desculpa que a gente conta pra si mesmo. E um sobre inclusão de verdade, dentro da empresa, sem teatro.
Funciona em convenção de vendas, em kickoff de ano, em SIPAT, em Setembro — que é o Mês da Pessoa com Deficiência — e em time que acabou de passar por reestruturação e precisa fazer mais com menos.
Vinte e cinco minutos ou cinquenta. Presencial ou online.
Se você contrata palestrante e está procurando alguém que faça a plateia rir, travar a respiração e sair com uma ferramenta na mão, fala com a minha agência.
Eu sou o Ricca. E impressionante mesmo é o que a gente faz quando para de esperar a condição perfeita.
DireçãoÚltima frase olhando fixo na lente, sem sorrir. Segura dois segundos antes de cortar — o bureau usa esse frame de thumbnail.Existe um movimento no CrossFit chamado barra fixa. Você sobe segurando com as duas mãos.
Eu tenho uma. Então, tecnicamente, eu não faço barra fixa.
Só que eu faço.
DireçãoAs três frases em ritmos diferentes: a primeira explicando, a segunda seca, a terceira quase sussurrada. O silêncio entre elas é o que segura.Levei sete meses pra descobrir como. Sete meses caindo, testando pegada, mudando o ângulo do corpo, inventando um jeito que não estava em manual nenhum.
E o que eu aprendi nesses sete meses não foi sobre barra. Foi sobre a primeira coisa que a gente faz quando falta recurso: a gente fica esperando ele chegar.
Eu vejo isso em toda empresa que eu visito. O time recebe a meta e a primeira reunião é sobre o que falta.
Falta headcount. Falta verba. Falta sistema. E a meta continua lá, do mesmo tamanho, enquanto a equipe gasta o primeiro mês inteiro fazendo o inventário da falta.
Eu não pude fazer esse inventário. Se eu tivesse feito, eu estaria até hoje sentado esperando.
O que eu levo pro palco são três perguntas que substituem esse inventário.
Primeira: qual é o resultado, separado do jeito de chegar nele? Barra fixa não é "duas mãos". É "subir".
Segunda: o que eu tenho de sobra que os outros não têm? Eu tenho um lado que ficou absurdamente mais forte que o normal.
Terceira: qual é o menor teste que eu consigo fazer hoje? Não o plano perfeito. O teste de hoje.
Adaptar não é aceitar menos. Adaptar é chegar no mesmo lugar por um caminho que ninguém tinha desenhado ainda.
E quando um time entende isso, ele para de negociar a meta e começa a negociar o método.
DireçãoFecha com a mão apoiada na mesa, corpo levemente pra frente. Postura de quem afirma, não de quem convence.Eu tenho a melhor desculpa do mundo. Ela é visível, ela é permanente e ninguém nunca vai discutir comigo sobre ela.
Eu podia usar ela todo dia, pro resto da vida, e todo mundo ia entender.
DireçãoAqui o braço aparece no enquadramento sem apontar pra ele. Não gesticula explicando — deixa o vídeo mostrar.E é exatamente por isso que eu não uso.
Porque no dia em que eu aceito a melhor desculpa do mundo, eu perco o direito de recusar todas as outras. As pequenas. As de segunda-feira.
"Hoje eu tô sem energia." "O mercado tá difícil." "Esse cliente não ia fechar mesmo."
Desculpa não é mentira. Esse é o problema. Quase toda desculpa é verdade.
O mercado tá difícil mesmo. Você tá cansado mesmo. E é justamente por serem verdadeiras que elas passam sem ninguém revisar.
A pergunta certa nunca é "é verdade?". É "isso muda o que eu vou fazer agora?"
No comercial isso tem nome e tem número. É a ligação que não foi feita porque o dia estava ruim. É o follow-up que ficou pra amanhã.
Ninguém perde a meta num dia. Perde numa sequência de justificativas razoáveis, cada uma pequena o bastante pra não doer.
Eu não vim aqui dizer que não existe dificuldade. Existe, e a minha tá bem aqui, à vista.
Eu vim dizer que a dificuldade não decide sozinha. Quem decide é o que você faz nos vinte minutos seguintes.
E esses vinte minutos são seus. De todo mundo.
Todo Setembro eu recebo o mesmo convite: "vem contar sua história de superação pro nosso time".
E eu quase sempre respondo a mesma coisa: eu vou, mas não é isso que a sua empresa precisa ouvir.
DireçãoTom cordial, não de bronca. Você está corrigindo o convite, não brigando com quem convidou.Porque contratar uma pessoa com deficiência pra emocionar a plateia uma vez por ano não muda absolutamente nada na segunda-feira.
Enquanto isso, o processo seletivo continua eliminando gente na primeira etapa. O sistema interno continua sem acessibilidade. E o gestor continua sem saber a pergunta que ele pode fazer sem parecer grosseiro.
Inclusão de verdade não é sentimento. É desenho de processo.
É saber que a adaptação que você faz pra uma pessoa com deficiência quase sempre melhora a vida de todo mundo. A legenda no vídeo serve pra quem não escuta e pra quem está no ônibus.
Empresa que entende isso para de tratar cota como custo e começa a tratar como acesso a um mercado de trabalho inteiro que os concorrentes estão ignorando.
Então, sim, eu conto a minha história. Mas eu saio do palco deixando três coisas: o que muda no processo seletivo, o que o gestor pode e não pode perguntar, e como medir se mudou alguma coisa em noventa dias.
Emoção sem processo é entretenimento. Processo sem emoção ninguém executa.
Eu trabalho com os dois — e é por isso que a minha palestra não termina quando eu desço do palco.